quinta-feira, 11 de julho de 2013

Teoria da Aprendizagem Reversa


Uma área da qual a neurociência tem direcionado os seus métodos e aportes conceituais é a questão do sono e dos sonhos (Rock, 2004).
Com a confirmação da existência do sono REM e a sua correlação com a experiência onírica por parte de Aserinsky e Kleitman (1953) diversas teorias têm sido propostas a respeito da sua verdadeira função, algumas delas propondo que essa fase do sono seria o meio pelo qual o cérebro instala e organiza as nossas memórias (Siegel, 2001; Stickgold, 2005; Brakefield, Hobson, Stickgold & Walker, 2003). Uma dessas teria é a da Aprendizagem Reversa proposta por  Francis Crick e Graeme Mitchison, segundo a qual o ato de sonhar é um aprendizado reverso.
A teoria é fundamentada no sono REM (Rapid Eye Movement), Movimento Rápido dos Olhos, descoberta feita nos anos 1959 (Nathaniel Kleitman, Aserinsky Eugene e Jon Birtwell), que se resume nos processos fásicos do cérebro e de baixo tônus muscular, em que há rápida movimentação dos olhos durante os ciclos dos sonhos, que ocorre em média quatro vezes por noite em humanos adultos.
O sonhar é, segundo as ideias de Crick-Mitchison, uma sequência de processos de limpeza que o cérebro faz para eliminar aprendizados desnecessários adquiridos durante o dia e para reordenar aquilo que verdadeiramente conta, assim a função do sono REM é apagar memórias indesejadas, “parasíticas”, que se formam espontaneamente devido à própria estrutura das redes neurais, por guardarem as nossas memórias de forma associativa.
Acredita-se que os processos de aprendizagem convencional de disciplinas escolares, trabalhos e artes, dentre outros, passem pelo mesmo processo de aprender e desaprender. Todo aprendizado novo gera, de alguma forma, estresse, a pessoa pensa que não está aprendendo, fica nervosa, se compara com alguém que apresenta maior facilidade de aprender, no entanto, o processo de filtrar e organizar esses aprendizados, incluindo os do estresse, cabe ao sistema nervoso.
O estudo que Crick não conseguiu concluir é uma grande oportunidade para se compreender, com a ajuda da tecnologia disponível hoje, como a compreensão de como é o funcionamento da máquina cerebral no processamento, armazenagem e conversão de nossas experiências em comportamentos, sejam eles produtivos ou improdutivos.
Para melhor entender essa teoria seria bom ler o artigo do link http://www.cienciasecognicao.org/revista/index.php/cec/article/view/811/554

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