Uma área da qual a neurociência tem direcionado
os seus métodos e aportes conceituais é a questão
do sono e dos sonhos (Rock, 2004).
Com a confirmação da existência do sono REM e a sua correlação com a
experiência onírica por parte de Aserinsky e Kleitman (1953) diversas teorias
têm sido propostas a respeito da sua verdadeira função, algumas delas propondo
que essa fase do sono seria o meio pelo qual o cérebro instala e organiza as
nossas memórias (Siegel, 2001; Stickgold, 2005; Brakefield, Hobson, Stickgold
& Walker, 2003). Uma dessas teria é a da Aprendizagem Reversa proposta
por Francis Crick e Graeme Mitchison, segundo a qual o ato de
sonhar é um aprendizado reverso.
A teoria é fundamentada no sono REM (Rapid Eye Movement), Movimento
Rápido dos Olhos, descoberta feita nos anos 1959 (Nathaniel Kleitman, Aserinsky
Eugene e Jon Birtwell), que se resume nos processos fásicos do cérebro e de
baixo tônus muscular, em que há rápida movimentação dos olhos durante os ciclos
dos sonhos, que ocorre em média quatro vezes por noite em humanos adultos.
O sonhar é, segundo as ideias de Crick-Mitchison, uma sequência de
processos de limpeza que o cérebro faz para eliminar aprendizados
desnecessários adquiridos durante o dia e para reordenar aquilo que
verdadeiramente conta, assim a função do sono REM é apagar memórias
indesejadas, “parasíticas”, que se formam espontaneamente devido à própria
estrutura das redes neurais, por guardarem as nossas memórias de forma
associativa.
Acredita-se que os processos de aprendizagem convencional de disciplinas
escolares, trabalhos e artes, dentre outros, passem pelo mesmo processo de aprender
e desaprender. Todo aprendizado novo gera, de alguma forma, estresse, a pessoa
pensa que não está aprendendo, fica nervosa, se compara com alguém que
apresenta maior facilidade de aprender, no entanto, o processo de filtrar e
organizar esses aprendizados, incluindo os do estresse, cabe ao sistema
nervoso.
O estudo que Crick não conseguiu concluir é uma grande oportunidade para
se compreender, com a ajuda da tecnologia disponível hoje, como a compreensão
de como é o funcionamento da máquina cerebral no processamento, armazenagem e
conversão de nossas experiências em comportamentos, sejam eles produtivos ou
improdutivos.
Para melhor entender essa teoria seria bom ler o artigo do link http://www.cienciasecognicao.org/revista/index.php/cec/article/view/811/554
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